15 de setembro de 2013

SETEMBRO NEGRO...


Em 16 de setembro, sob lei marcial, o rei Hussein deu plenos poderes ao então coronel paquistanês Muhammad Zia-ul-Haq, que, mais tarde, viria a ser presidente do Paquistão, através de um golpe de estado que derrubou Zulfikar Ali Bhutto para que acabassem com os fedayin. Os palestinos receberam, então, ordens de depor imediatamente as armas e evacuar as cidades. No mesmo dia,  Yasser Arafat tornou-se comandante supremo do Exército de Libertação da Palestina (PLA), o braço militar da OLP. Durante dez dias de guerra civil, inicialmente entre o PLA e o exército jordaniano, a Síria enviou cerca de 200 tanques para ajudar os fedayin. Em 17 de setembro, porém, o Iraque começou a retirar seus 12.000 homens estacionados perto de Zarqa. Os Estados Unidos enviaram uma esquadra para o Mediterrâneo oriental e Israel realizou movimentos de tropas, colocando-as à disposição de Hussein, caso fosse necessário. Sob ataque do exército jordaniano e sofrendo pressão externa, as forças sírias começaram a se retirar da Jordânia em 24 de setembro, depois de perder mais da metade dos seus armamentos na luta contra os jordanianos. Os fedayin se viram então na defensiva e concordaram com um cessar-fogo em 25 de setembro. Vários governantes árabes criticaram a atitude do rei Hussein e um acordo de paz foi assinado no Cairo em 27 de setembro.2 O tratado reconhecia o direito das organizações palestinas de operar na Jordânia, desde que deixassem as cidades. Posteriormente, Arafat afirmaria que o exército jordaniano matou entre 10 mil e 25 mil palestinos. Em 28 de setembro, Gamal Abdel Nasser morre de ataque cardíaco e a OLP perde a proteção árabe. Em 31 de outubro, Arafat, cuja posição estava enfraquecida, teve que assinar outro acordo pelo qual retornava o controle da Jordânia ao rei e se comprometia a desmantelar as bases dos militantes palestinos e a proibi-los de usarem armas não permitidas pelo governo jordaniano. Mas, em reunião do Conselho Palestino, a FPLP e a FDLP se recusam a aceitar esse acordo. Em 9 de novembro, o primeiro-ministro jordaniano Wasfi al-Tal ordena o confisco de armas ilegais. Em janeiro de 1971, o exército aumenta o controle sobre as cidades. Após a descoberta de um depósito de armas ilegais em Irbid, o exército estabelece o toque de recolher e começa a prender os rebeldes. Em 5 de junho de 1971, várias organizações palestinas, inclusive o Fatah, lançam um manifesto na Rádio Baghdad, conclamando a população a derrubar o rei Hussein. Finalmente o exército jordaniano recupera o controle dos últimos redutos da OLP - as cidades de Jerash e Ajloun e os militantes palestinos são expulsos para o Líbano.

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